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"O amor não é tudo; até é, enquanto se está amando, mas, para viver uma paixão, é preciso renunciar à própria vida, uma opção perigosa que não costuma ser eterna."
"A mãe dele, Aninha, dirigia um internato numa praia perto de Vitória. Contam as más línguas da família que, à noite, ela pegava um cavalo e saía galopando pela praia, nua. Torço para que essa história seja verdadeira."
"Para manter um mínimo equilíbrio mental, preciso ficar muitas horas do dia absolutamente só; por isso gosto de viajar sozinha, por isso prezo tanto minha liberdade, por isso cheguei à conclusão de que não nasci para ser casada. Às vezes sinto uma certa solidão, mas não é assim tão ruim. Não sei de nada melhor do que chegar numa cidade onde não conheço ninguém, sentar num café, pedir um drinque, mais outro, ficar olhando as pessoas, imaginando suas vidas - fumando um cigarro, melhor ainda. Não sei o que os meus filhos acham disso, mas mãe não se escolhe; amigos e amores também não, mas estes entram e saem da nossa vida, e é assim mesmo."
"Cansamos de ouvir nosso pai dizer que não se pode confiar no ser humano, que o amor não é eterno, que só podemos contar com nós mesmos, que é necessário ser forte e que a vida não é uma brincadeira. Se chegávamos exaustas do colégio, ele dizia que é bom castigar o corpo, andar na praia até não aguentar mais, tomar banho frio.
(...) Meu pai não cansava de dizer também, que mais importante do que os bons costumes e qualquer conveniência social, é falar a verdade, sempre; que as glórias e honrarias deste mundo não têm nada a ver com a felicidade; que nada acontece sem esforço; que não adianta ensinar, só se aprende com a vida - e apanhando. E mais: que as palavras foram feitas para esconder os pensamentos e que um mergulho no mar cura tudo, das doenças às maiores aflições. Ele estava certo em muitas coisas, mas não em todas. Da mãe de meu pai, a quem não cheguei a conhecer, aprendi que, quando cai uma chuva forte, deve-se ir para a rua e lá ficar por uns dez minutos, até se encharcar, pois faz bem à saúde. Isso eu ainda faço, e acho que a humanidade se divide em dois tipos de pessoas: as que usam guarda-chuva e as que não usam.
""Datas? mas que importância têm as datas?", foi o que ouvi a minha vida inteira. Ficou difícil, quando tive minha própria família, montar uma árvore no Natal. Até tentei, mas foi um fiasco, como tudo o que se faz sem acreditar."
"Se alguém me pergunta hoje como era minha mãe, não sei responder. Acho que ela não conseguia se comunicar, nem comigo nem com ninguém. Uma vida não vivida, penso eu. Um dia ela me contou que foi do Rio para Cachoeiro de Itapemirim, visitar a família e num determinado momento o ônibus parou para que os passageiros fossem ao toalete, bebessem alguma coisa. Ela, que estava só, desceu, sentou-se numa mesa e tomou um café com leite; e me disse que essa foi a maior aventura da sua vida. Nunca me esqueci disso."
"Mais tarde fui descobrir que sou tímida, quem diria, e me sinto desconfortável no meio de muita gente. Não sei ter relações meramente sociais: fico amiga ou não fico nada, e o tititi mundano está acima das minhas capacidades. Adoro estar nos lugares, olho tudo, sou curiosa, gosto de ouvir o que as pessoas dizem, mas, quando elas são muitas, eu preferia ser uma mosca."
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"A vida é assim mesmo: umas coisas vão piorando, outras melhorando, o passado já foi, o futuro não existe, vamos viver o melhor do presente, e pronto."
"Vinícius foi um grande amigo; apesar de ser um intelectual de verdade, tinha tempo e paciência para ouvir problemas bobos, dar opinião sobre meus pequenos dramas amorosos. Era sempre a favor do amor: "Está apaixonada, vá em frente."
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"Minha casa sempre foi meu porto seguro, só nela me sinto tranquila, dona da minha vida, coisa que prezo acima de tudo."
9
"Aprendi com Samuel: quanto piores estão as coisas, mais depressa é preciso voltar a trabalhar."
"Um dos primeiros que entrevistei foi Pedro Nava. Lembro bem de ele ter feito, durante toda a entrevista uma ode à juventude - sustentava que essa fase era tão importante na vida das pessoas, que antes dos trinta anos ninguém devia estudar nem trabalhar, mas apenas viver. Uma semana depois ele se matou."
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"Acho que ser mãe é um assunto nunca resolvido."
"Às vezes fico na dúvida: não sei se não tenho personalidade alguma ou se tenho muitas, tal a minha capacidade de me virar pelo avesso."
"A vida me deu tudo o que poderia dar, de bom e de ruim. Nada me foi poupado: ela foi completa nos dois sentidos. Penso como o escritor Elie Wiesel, que um dia disse: "Depois de tudo que já vivi, nada que me aconteça poderá me fazer muito feliz, nem muito infeliz.""
"Em alguns segundos esqueci do que lembrei a vida inteira: que é preciso saber quem é o outro, o que faz, onde mora, estado civil, classe social. Ele tinha razão: estávamos sós, por que não podíamos ficar juntos? Afinal, a vida pode ser simples.
(...) Não houve preâmbulos; não dissemos nossos nomes nem contamos nossas vidas. Aconteceu o que era para acontecer, e às sete da manhã, quando saí, ele dormia.
(...) Quando acordei, às duas da tarde, mal acreditei no que tinha acontecido. Voltei ao mesmo café, pedi um vinho e pensei: quando um homem deseja muito uma mulher, esse desejo pode despertar o desejo dela. E mais: quando isso acontece, não há nenhuma razão para que os dois resistam à pulsão da vida. Pensei também que poucos homens compreendem as mulheres; não sabem que muitas preferem ser desejadas a serem amadas. Na noite anterior eu me esqueci de quem era e nunca fui tão eu mesma.
(...) Não sei também de onde tirei coragem para tanto, mas desconfio: foi porque não pensei, não raciocinei; pensar muito e raciocinar muito podem impedir, às vezes, que a vida aconteça, e tive até medo de me sentir tão viva."
Da jornalista Danuza Leão, em Quase Tudo, livro de memórias que cobre 72 anos da vida da autora de "Na sala com Danuza", best seller de 1992. Quase Tudo me consumiu durante toda a epidemia (?) de febre amarela que rondou o país nos últimos dias.

"A idéia de algo que dure a vida inteira nunca me seduziu. Gosto da finitude das coisas, mas perder é não estar pronto para deixar. Nada dói mais. Por isso, todo recomeço é feito de dor pungente; daquelas que rasgam a alma. Rasgam até o ponto em que a dor dá espaço à surpresa de abrir os olhos e perceber que há um novo dia correndo feito criança (como um caderno aberto e em branco), passando e convidando à intensidade dos sentidos, que se despertados, mostram que viver é sublime (e inexplicável, inexplicável). Inclusive, em todas as suas intempéries."
De quantas páginas você precisa?
*Felipe baruc recomenda Babel, drama de Alejandro González Iñarritu com roteiro de Guillermo Arriaga, vencedor do globo de ouro e indicado ao Oscar, que conta de modo ímpar, três histórias diferentes e interligadas sobre perdas e recomeços.
Seguindo à risca (algumas das) minhas resoluções de ano novo, estive no último sábado num cinema da capital para assistir a P.S. Eu te amo (P.S. I love you, Estados Unidos, 2007), filme mais recente da duas vezes vencedora do Oscar, Hillary Swank e do adorável (não estranhem) Gerard Butler, de 300 (que com o personagem, revela uma empatia surpreendente).
A comédia romântica de Richard LaGravenese, produzida por Wendy Finerman, Broderick Johnson, Andrew A. Kosove, Molly Smith, os mesmos criadores de O diabo veste prada (The devil wears prada, EUA, 2006), conta com humor irreverente e sensível a história de Holly Kennedy, corretora de imóveis, que após a morte do marido, Gerry, vivido por Butler, começa a receber cartas escritas ainda em vida pelo próprio, com o intuito de ajudá-la na recuperação.
Cheio de boas piadas e atuações convincentes, P.S. Eu te amo, é uma pedida deliciosa não só para casais apaixonados, mas para quem gosta de bom entretenimento. Vá ver (e não partam da premissa de filme de mulherzinha).

Serviço: Pátio Brasil Shopping, Sala 03/*Sessões às 16h10m, 18h50m e 21h30m.

Foto: Fernando Louza
Patrícia é um travesti, nascido Felipe, há 25 anos atrás, na Ilha do Governador, Rio de Janeiro. Patrícia tem muito a dizer. E diz muito, sobre a essência e os tabus humanos em entrevista à reporter Silvia Pilz, na revista Marie Claire, edição 202 Jan/08.
Dispa-se de preconceitos e encare a história desta mulher (ou homem, como preferir) que conhece (e encara) a hipocrisia do mundo como poucos.
Vá em http://revistamarieclaire.globo.com/Marieclaire/0,6993,EML1666417-1740,00.html
"Ele vai, o sol se põe. Ele leva o dia embora."
Amy Winehouse, 23, choramingosa em Tears dry on their own, de Back to Black, um dos 50 melhores álbuns do ano, segundo a Rolling Stone USA, e que concorre a 6 grammy awards na cerimônia de 2008.
mais? Vá em http://vagalume.uol.com.br/amy-winehouse/tears-dry-on-their-own-traducao.html
ou ainda http://www.rollingstone.com.br/materia.aspx?idItem=1374&titulo=Grammy+2008
e por último http://www.rollingstone.com.br/materia.aspx?idItem=1457&titulo=Britney+%c3%a9+%c3%baltima+da+lista
No Youtube:
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